Análise
América Central: Preparando-se para o futuro
O Relatório de Riscos Globais 2024 do Fórum Econômico Mundial apresenta uma perspectiva detalhada sobre os riscos mais urgentes em todo o mundo. Esses riscos vão das mudanças climáticas e tensões geopolíticas aos impactos do rápido avanço tecnológico na sociedade e na economia.

O Relatório de Riscos Globais 2024 do Fórum Econômico Mundial apresenta uma perspectiva detalhada sobre os riscos mais urgentes em todo o mundo.
Esses riscos vão das mudanças climáticas e tensões geopolíticas aos impactos do rápido avanço tecnológico na sociedade e na economia.
Um tema central do relatório é a crescente interconexão dos riscos globais, que ressalta a necessidade de uma abordagem colaborativa e multissetorial para a gestão de riscos. Os eventos climáticos extremos são vistos como uma crise global iminente, que provavelmente esgotará os recursos necessários para uma mitigação e adaptação eficazes às mudanças climáticas, além de agravar vulnerabilidades decorrentes da escassez de recursos, de conflitos e da polarização.
Na próxima década, espera-se que os riscos ambientais e tecnológicos se agravem. Entre eles, as mudanças ambientais — como eventos climáticos extremos, alterações significativas nos sistemas terrestres e perda de biodiversidade — são os riscos mais destacados, seguidos de perto pelos desafios da pós-verdade, da desinformação e das possíveis consequências negativas da inteligência artificial (IA). Esses resultados apontam para diferentes níveis de urgência em relação aos riscos ambientais.
O relatório enfatiza que, embora uma abordagem colaborativa seja essencial para enfrentar os riscos globais, nem todos exigem ampla cooperação global. O documento sugere métodos alternativos, com diferentes níveis de cooperação, para oferecer um quadro mais abrangente de planejamento e preparação. Entre eles estão estratégias locais, iniciativas individuais ou de entidades para avanços significativos na mitigação de riscos e ações coletivas, nas quais até mesmo pequenas medidas podem ter impacto significativo na mitigação das mudanças climáticas.
Para aplicar ao contexto da América Central os riscos identificados no relatório, é necessário adaptá-los às realidades e condições locais do país.
Eventos climáticos extremos: A América Central está sujeita a eventos climáticos extremos, como furacões, inundações e secas. Esses eventos podem afetar gravemente a agricultura, importante fonte de renda e emprego no país, além da infraestrutura e dos assentamentos humanos, especialmente em áreas costeiras e rurais. É preciso investir no fortalecimento da infraestrutura para torná-la mais resistente a fenômenos climáticos extremos e implementar sistemas de alerta precoce, incluindo planos de contingência e evacuação em áreas sujeitas a desastres naturais.
Tensões geopolíticas: As tensões geopolíticas globais podem afetar a região indiretamente, por meio de flutuações nos mercados internacionais, especialmente no que diz respeito à importação de petróleo e outros insumos essenciais. Felizmente, a região vem reduzindo a dependência de mercados específicos e diversificando as relações comerciais. Ao mesmo tempo, fortalecemos os laços com as economias mais poderosas do mundo, como a dos EUA, por meio do friendshoring.
Desaceleração econômica da China: A economia da América Central pode ser afetada pela desaceleração da China, principalmente por meio das cadeias globais de suprimentos e dos preços das commodities. Uma queda na demanda chinesa pode afetar as exportações centro-americanas, especialmente em setores como tecnologia e agricultura.
Estresse financeiro global: Como economia emergente, a América Central pode enfrentar dificuldades para acessar financiamento internacional e condições mais desfavoráveis para sua dívida externa em um cenário de estresse financeiro global. Isso pode aumentar a pressão sobre o orçamento nacional e os investimentos públicos. Felizmente, nos últimos anos, o país manteve uma política fiscal responsável e conta com regulação e supervisão do setor financeiro para torná-lo mais resistente a choques externos.
Fragmentação comercial: A América Central, cuja economia depende significativamente do comércio internacional, está bem preparada para enfrentar esse risco por meio de uma sólida rede de acordos comerciais e da atração de investimentos estrangeiros capazes de fortalecer setores estratégicos da economia.
Riscos relacionados à IA e à cibersegurança: Além de aumentar os investimentos em tecnologias e capacitação em cibersegurança, a América Central deve promover a educação e a conscientização sobre os riscos da IA e da cibersegurança nos setores público e privado.
Em resumo, é fundamental que a região centro-americana continue avançando rumo ao desenvolvimento sustentável e fortalecendo sua resiliência diante desses desafios globais.
Estratégias locais que envolvam os setores público e privado têm papel fundamental na redução dos impactos desses riscos globais.
Os esforços coletivos de indivíduos, empresas e países, embora pequenos quando considerados individualmente, tornam-se significativos quando combinados e contribuem para reduzir o risco global. Para os riscos mais críticos à segurança e à prosperidade humanas, a coordenação transfronteiriça é indispensável.
David Gutierrez Swanson
blplegal.com