Opinião · Costa Rica
Crescer para sobreviver
Crescer é muitas vezes a única forma de sobreviver. Não é por acaso que as empresas mais bem-sucedidas do mundo cultivam uma cultura obcecada pela inovação, pela expansão e por horizontes ainda não explorados.

Crescer é muitas vezes a única forma de sobreviver. Não é por acaso que as empresas mais bem-sucedidas do mundo cultivam uma cultura obcecada pela inovação, pela expansão e por horizontes ainda não explorados. Tampouco surpreende que os maiores colapsos corporativos da história tenham envolvido equipes paralisadas pelo próprio sucesso passado.
A expansão corporativa para novos territórios geográficos é uma aventura, do ponto de vista comercial ao cultural; e, como em qualquer aventura, há elementos que se repetem.
O principal a considerar é o caráter interdisciplinar de um projeto dessa natureza: uma combinação de aspectos jurídicos, contábeis, trabalhistas, fiscais, tecnológicos e comerciais. Desde o primeiro dia, toda empresa que decida se aventurar em território desconhecido deve contar com essa combinação de conhecimentos técnicos para evitar, mais adiante, desperdício de energia, tempo e dinheiro.
Qual é o impacto fiscal da estrutura jurídica a ser utilizada? Como injeto capital na nova empresa? Como vou remunerar os colaboradores? Como integro meus relatórios financeiros?
Se qualquer uma dessas perguntas fundamentais for respondida sob uma única perspectiva técnica, e não com uma visão holística e interdisciplinar, a internacionalização começará em desvantagem já no básico.
"We’re not in Kansas anymore."
Não menos importante nesse processo é reconhecer que se está diante de um país novo e provavelmente desconhecido, para além do que se conhece na teoria ou no plano conceitual. Cada região é um mundo em termos de regulação, cultura, ritmos e processos. Copiar e colar as estruturas da matriz sem levar em conta os requisitos e a realidade do país para o qual a empresa está se expandindo tende a gerar atritos desnecessários. Adaptar o global ao local é uma arte que exige, necessariamente, conhecimento prático e visão integral.
O que foi dito acima também deve ser feito com equilíbrio. Na internacionalização, é pouco eficiente criar ilhas: o que for feito localmente deve gerar algum tipo de visibilidade no nível corporativo, tanto na área comercial quanto no controle do cumprimento, no prazo e na forma, dos requisitos legais e fiscais. Caso contrário, a empresa não estará expandindo um negócio, mas dando um salto de fé.
"Death and taxes"
Também não surpreende que a questão tributária ocupe lugar prioritário nessa aventura. Tudo, ou quase tudo, na vida tem impacto fiscal. Entender, implementar e cumprir as exigências tributárias locais é um trabalho em tempo integral.
Isso inclui conhecer a fundo as regras de preços de transferência e CRS/FATCA, além do mecanismo de emissão de notas fiscais, das declarações de impostos, da necessidade ou não de um procurador local para apresentá-las, dos procedimentos para o pagamento dos tributos, das retenções na folha de pagamento etc. Não ter respostas para essas dúvidas de antemão gera problemas desproporcionalmente grandes em relação ao tempo que teria sido necessário para evitá-los.
Por último, mas não menos importante, está o aspecto cultural. As equipes, onde quer que estejam, devem sempre se alinhar em torno de um núcleo de valores e de uma visão central, mas é necessário reservar algum espaço para o sabor e a identidade locais. Isso ajudará não apenas a reduzir a rotatividade, mas também a aproveitar ao máximo a diversidade oferecida por uma estrutura global.
O mesmo vale para os prazos previstos junto a órgãos governamentais: a eficiência nem sempre está garantida, e o que em um país leva horas, em outro pode levar meses. Ter clareza prévia sobre essas realidades evita muitas dores de cabeça na execução.
A falta de ação também é uma decisão, mas transfere para a sorte o peso do futuro. O correto é conhecer os desafios da internacionalização, planejar e agir de acordo com eles e, sempre, sempre, aproveitar a experiência de quem já percorreu esse caminho.
Por: Manrique Blen