Análise
Escritórios ou redes? Como fazer o networking funcionar
No mundo jurídico, alianças e redes de escritórios de advocacia ganharam relevância à medida que as demandas dos clientes se tornam mais globais e especializadas.

No mundo jurídico, alianças e redes de escritórios de advocacia ganharam relevância à medida que as demandas dos clientes se tornam mais globais e especializadas. Durante a recente conferência da International Bar Association na Cidade do México, líderes de destaque de escritórios de advocacia internacionais discutiram as vantagens e os desafios das alianças e redes, oferecendo uma visão abrangente de como essas conexões podem fortalecer tanto a prática quanto as relações comerciais.
Os painelistas incluíram:
- Aku Sorainen (Sorainen, Estônia)
- Carlos Bello (BGBG, México)
- Luis González (Pérez Correa González, México)
- Nadège Nguyen (Gide, França)
- Paul Marmor (Sherrands, Reino Unido)
- Sophia Rook-Blackstone (Alliot Global Alliance, Reino Unido)
A evolução das alianças
Aku Sorainen destacou como a estratégia de seu escritório evoluiu para construir relações saudáveis e duradouras com escritórios internacionais, mas alertou que a independência pode ser ameaçada nesse processo. A chave, explicou, está em encontrar escritórios de advocacia internacionais de qualidade e estabelecer relações comerciais mutuamente benéficas.
Luis González apontou três benefícios principais de fazer parte de uma aliança: primeiro, a criação de um ambiente de confiança; segundo, a possibilidade de receber e encaminhar indicações com a segurança de que os clientes serão bem atendidos; e terceiro, a proteção da confiança e das relações com os clientes por meio da qualidade e da dedicação. Além disso, afirmou que é essencial conhecer pessoas mais competentes, capazes de cuidar dos clientes, pois, se as relações não forem bem administradas, a aliança pode fracassar.
Investir em relações para obter benefícios
Para Nadège Nguyen, o principal benefício de uma aliança é que “você recebe o que investe”. Participar de reuniões e construir uma rede é fundamental. Ela também destacou a importância de compartilhar as melhores práticas e ferramentas entre os escritórios, bem como de criar grupos em áreas especializadas, como M&A, TI e IA. Essas alianças permitem que os escritórios compartilhem estruturas de remuneração e gestão, promovendo o crescimento e a coesão.
Carlos Bello concordou que as alianças também facilitam a criação de amizades e relações de confiança de longo prazo. A amizade gera confiança, o que facilita o feedback entre os escritórios e permite uma troca honesta e transparente de ideias e estratégias.
Sophia Rook-Blackstone ressaltou que as alianças podem economizar tempo e oferecer credibilidade na assessoria a clientes em várias jurisdições. Essas relações proporcionam apoio essencial, ajudando os escritórios a atender seus clientes com eficiência e qualidade.
Qualidade e controle: fatores-chave nas alianças
Um dos pontos mais importantes levantados durante a conferência foi a necessidade de controles de qualidade nas alianças. Esse processo de controle é o que gera confiança entre os membros. Luis González observou que, embora seja possível encontrar escritórios de qualidade fora das alianças, as indicações não chegam da mesma forma a quem não pertence a uma rede.
Paul Marmor acrescentou que fazer parte de uma aliança também confere credibilidade na hora de atrair novos talentos. As relações construídas dentro de uma rede são fundamentais, e alianças sólidas podem permitir mais transparência e colaboração.
