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IBA Litigation Forum Madrid 2026 | Litigantes em um mundo fragmentado
International Bar Association | Madri recebe esta semana um dos encontros globais mais relevantes para profissionais de resolução de disputas: o IBA Annual Litigation Forum, que reúne litigantes de diversas jurisdições para analisar o papel do contencioso em um ambiente jurídico e geopolítico…

International Bar Association | Madri recebe esta semana um dos encontros globais mais relevantes para profissionais de resolução de disputas: o IBA Annual Litigation Forum, que reúne litigantes de diversas jurisdições para analisar o papel do contencioso em um ambiente jurídico e geopolítico cada vez mais fragmentado.
O encontro foi precedido por uma recepção de abertura no Museo del Prado, que serviu como ponto de encontro institucional e marcou o início de três dias de debates estratégicos na capital espanhola.
Realizado de 15 a 17 de abril no Four Seasons Madrid, o fórum — organizado pelo Litigation Committee da International Bar Association — tem como tema deliberadamente provocador: "The world has lost its compass: we need to talk about litigators."
A abertura contou com as falas de Almudena Arpón de Mendívil e Jaime Pérez-Renovales, que estabeleceram desde o início um tom marcadamente institucional e estratégico. Arpón de Mendívil destacou o papel da advocacia na preservação da confiança nos mecanismos de resolução de disputas em um contexto de crescente pressão sobre as instituições, apresentando o contencioso não apenas como uma disciplina técnica, mas também como elemento essencial da segurança jurídica.
Por sua vez, Jaime Pérez-Renovales, vice-presidente executivo sênior do Banco Santander e uma das figuras mais relevantes do meio jurídico corporativo na Europa, trouxe uma perspectiva que combina experiência nos setores público e privado. Ex-secretário-geral do banco e ocupante de altos cargos no governo espanhol, ele enfatizou a crescente inter-relação entre contencioso, regulação e risco geopolítico, observando que a advocacia é exercida cada vez mais em um contexto que vai além do estritamente jurídico.
A primeira sessão de conteúdo, "Cross-border disputes in a fragmented world", abordou um dos principais desafios para os litigantes contemporâneos: a tensão entre a globalização econômica e a fragmentação normativa. Presidida por Sandrine Giroud e Rafael Murillo, a mesa reuniu profissionais de diversas jurisdições, entre eles Daniel Birk, Lydia Danon, Lawrence Teh e Johanna Wirth, que analisaram como a estratégia processual é afetada pela concorrência entre tribunais, pela extraterritorialidade das normas e pela crescente influência de considerações de segurança nacional em disputas comerciais.
O debate destacou as consequências práticas dessa fragmentação, incluindo processos paralelos, decisões potencialmente contraditórias e maiores riscos na execução de sentenças.
Nesse contexto, o contencioso transfronteiriço exige uma abordagem cada vez mais sofisticada, que combine análise jurídica com compreensão geopolítica e coordenação regulatória, em um cenário no qual os advogados precisam atuar em meio a sistemas jurídicos concorrentes.
Em seguida, a sessão "From battlefield to courtroom" aprofundou a dimensão temporal e estrutural do risco jurídico decorrente de conflitos armados.
Moderada por Julia Ferraz-Cardoso e Keith Oliver, e com a participação de Elizabeth Gloster, Dmytro Marchukov, Eliseo Martínez e Marcin Radwan-Röhrenschef, a mesa analisou como decisões empresariais tomadas em contextos de conflito podem gerar exposição jurídica de longo prazo.
Foram discutidas questões como a responsabilidade de instituições financeiras, a rastreabilidade de ativos e o envolvimento de empresas em zonas de conflito, com destaque para o fato de que o contencioso se tornou um mecanismo de responsabilização que ultrapassa o tempo e as fronteiras.
Também foram examinadas a crescente interação entre regimes de sanções, recuperação de ativos e litígios cíveis, bem como as dificuldades probatórias associadas a esse tipo de disputa, em que a documentação, as provas digitais e a cooperação internacional são determinantes.
De forma transversal, o fórum mostrou que o contencioso passa por uma transformação estrutural, impulsionada tanto por fatores externos — como a fragmentação geopolítica — quanto por dinâmicas internas, entre elas a adoção de tecnologias, inteligência artificial e estratégias baseadas em dados.
Paralelamente, as expectativas dos clientes evoluem para modelos que exigem eficiência operacional aliada a visão estratégica, ampliando o papel do litigante para incluir funções de antecipação e gestão de riscos.
A escolha de Madri como sede reflete seu crescente posicionamento como hub de disputas internacionais, particularmente no espaço ibero-americano, apoiado por sua infraestrutura jurídica, conectividade e pelo desenvolvimento de seu ecossistema arbitral.
Nesse contexto, o fórum não funciona apenas como plataforma de intercâmbio técnico, mas também como espaço de reflexão sobre a redefinição da profissão, no qual o contencioso se consolida como uma disciplina situada na interseção entre direito, economia e política global.