Entrevista · Argentina
Inspiring Women in Law – Entrevista com Cecilia Mairal
A Latin Counsel conversou com a sócia do escritório Marval, O’Farrell & Mairal, Cecilia Mairal, sobre a evolução da diversidade no escritório argentino de elite desde a implementação, há vários anos, de seu bem-sucedido Comitê de Diversidade.

Latin Counsel conversou com a sócia do escritório Marval, O’Farrell & Mairal, Cecilia Mairal sobre a evolução da diversidade no escritório argentino de elite desde a implementação, há vários anos, de seu bem-sucedido Comitê de Diversidade.
Cecilia, uma das sócias de maior destaque na área de Banca & Finanças na Argentina, está comprometida com a diversidade, a equidade e a inclusão (DEI) desde que ingressou na Marval, há mais de duas décadas. Sua trajetória inclui um mestrado na Harvard Law School e experiência na Linklaters, em Londres e Nova York.
Durante a conversa, Cecilia compartilhou ações e iniciativas concretas implementadas com sucesso pelo Comitê de Diversidade, que podem servir de inspiração para empresas e instituições que buscam integrar a diversidade e a inclusão à sua estratégia. Apesar dos avanços alcançados, ela reconhece que ainda há muito a fazer nessa área.
Mairal tem sido reconhecida de forma consistente por prestigiadas publicações internacionais, como a Chambers & Partners, que a descreve como uma "excelente advogada", e foi eleita a Melhor Advogada de Finanças da América Latina no Americas Women in Business Awards, organizado pela Euromoney.
Latin Counsel: Como você definiria a estratégia de DEI da Marval em três palavras?
Cecilia Mairal: Compromisso, inclusão, inovação.
LC: Quais são as preocupações que os integrantes do Comitê de Diversidade e Inclusão da Marval costumam levar à mesa de discussão? Há temas recorrentes?
CM: Entre as preocupações comuns estão a continuidade do caminho percorrido, a disseminação de políticas inclusivas pela organização e a eliminação de qualquer forma de discriminação.
São discutidos temas relacionados à representatividade de equipes diversas, à valorização das múltiplas vozes na tomada de decisões e à prevenção do assédio moral e sexual no trabalho. O objetivo é promover e garantir um ambiente de trabalho seguro e respeitoso para todos os integrantes.
LC: Quais foram as iniciativas mais recentes que vocês lideraram em matéria de DEI no escritório? Qual foi o feedback recebido?
CM: Algumas das iniciativas mais recentes incluem:
• After office no mês LGBTQ+: (27 de junho de 2024)
• "Explorando vieses inconscientes": encontro virtual para analisar como os vieses inconscientes influenciam o ambiente de trabalho (28 de junho de 2024).
• Comunicação interna no Dia do Orgulho LGBT+: compartilhamento do caminho percorrido nos últimos anos (28 de junho de 2023).
• Experiência imersiva de D&I LGBT+: atividade para promover a empatia e a reflexão sobre realidades diversas (22 de junho de 2023).
O feedback recebido foi positivo. Ano após ano, temos registrado alta participação e engajamento dos integrantes do escritório nesses temas e nas atividades propostas pelo Comitê de Diversidade e pelo Grupo de Interesse LGBTQ+.
LC: Que parcerias com entidades externas e redes ajudaram vocês a impulsionar uma estratégia de DEI mais eficaz?
CM: Uma parceria de destaque é com a R.E.D. Di Tella, uma rede universitária de D&I formada por 65 empresas que promove atividades e pesquisas sobre diversidade e inclusão.
Sem dúvida, é uma parceria valiosa, que nos permite ampliar e impulsionar novas ações de formação e intercâmbio com outras empresas e instituições.
LC: Vocês trabalharam com a Thomson Reuters Argentina e a ONG ELA em um importante relatório sobre leis relacionadas à violência e ao assédio no ambiente de trabalho. O que você destacaria desse projeto?
CM: A Fundação Thomson Reuters escolheu a Marval O’Farrell Mairal para representar a Argentina e coordenar internacionalmente um relatório sobre normas relacionadas à violência e ao assédio no ambiente de trabalho. O relatório inclui uma descrição detalhada da situação na Argentina, no Uruguai, no Brasil, na Bolívia, na Colômbia, no Chile, no Equador, no México, no Paraguai, no Peru e na Venezuela. O documento analisa a aplicação da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em onze países latino-americanos e é uma iniciativa da ELA (Equipo Latinoamericano de Justicia y Género), organização sem fins lucrativos que trabalha para promover os direitos humanos das mulheres e a igualdade de gênero na América Latina.
A Fundação Thomson Reuters e a ELA escolheram a Marval O’Farrell Mairal pela experiência de seus integrantes, que já haviam participado de outros projetos de pesquisa internacional. O papel da Marval como coordenadora internacional consistiu em organizar, supervisionar, revisar e compilar os relatórios preparados por cada um dos escritórios colaboradores.
A versão final do relatório ainda aguarda publicação. O trabalho foi realizado por integrantes da equipe Pro Bono em conjunto com a equipe Mulheres do Comitê de Diversidade e Inclusão, incluindo as associadas Julieta Altamirano, Jazmín Ailén Eroles, Paola Forchiassin, María Victoria Gonzalez e Rocio M.
LC: Embora a conscientização sobre temas de DEI esteja crescendo no âmbito empresarial, social e jurídico, ainda há muito trabalho a fazer. Quais áreas, na sua opinião, precisam de atenção mais urgente?
CM: É fundamental priorizar a implementação e a continuidade de políticas inclusivas, garantindo não apenas sua adoção, mas também sua aplicação e atualização constantes, de modo que reflitam o contexto dinâmico atual.
Para garantir sua continuidade e alcance na organização, é essencial oferecer espaços de formação e ferramentas que permitam identificar e combater os vieses inconscientes que podem afetar as decisões de contratação e promoção, bem como o ambiente de trabalho em geral.
Além disso, é fundamental criar e fortalecer programas específicos que promovam ações nas áreas de gênero, LGBTQ+, pessoas com deficiência, religião e gerações, garantindo sua representatividade nas equipes, sua participação e valorização, além de oportunidades equitativas de crescimento e desenvolvimento na organização.
LC: Que conselho você daria a colegas ou organizações que querem aprimorar suas políticas e ações de diversidade, equidade e inclusão?
CM: Meu conselho é garantir que a alta direção esteja comprometida e apoie ativamente as iniciativas de DEI. É fundamental contar com o apoio da equipe de liderança, desenvolver políticas claras e específicas que promovam a diversidade e a inclusão e garantir que todos os funcionários as conheçam e compreendam. Também é importante implementar programas regulares de formação para todos os funcionários sobre diversidade, equidade e inclusão.
Além disso, é importante criar um ambiente em que todos os funcionários se sintam seguros e apoiados para expressar sua autenticidade, bem como suas preocupações e sugestões relacionadas à DEI.
Por fim, é preciso estabelecer objetivos e indicadores que permitam definir o rumo e medir o progresso das iniciativas de DEI. É fundamental estar disposto a ajustar as estratégias conforme necessário para alcançar os objetivos desejados.
Essas ações certamente não só promoverão um ambiente de trabalho mais inclusivo e equitativo, como também beneficiarão a organização ao aproveitar a diversidade de perspectivas e experiências, que também reflete a diversidade de seus clientes e do mercado.
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