Entrevista
Inspiring Women In Law - Entrevista com Margaret Hirsch Coleman, diretora de Legal & Compliance da Adidas na Colômbia
Latin Counsel: Como foi sua trajetória na área jurídica da Adidas? Margaret Hirsch Coleman: Comecei em 2017 como diretora jurídica da Adidas Chile, depois de trabalhar por vários anos em outra empresa, mas em um setor completamente diferente, e, antes disso, em escritórios de advocacia.

Latin Counsel: Como foi sua trajetória na área jurídica da Adidas?
Margaret Hirsch Coleman: Comecei em 2017 como diretora jurídica da Adidas Chile, depois de trabalhar por vários anos em outra empresa, mas em um setor completamente diferente, e, antes disso, em escritórios de advocacia. Por isso, foi muito interessante aprender sobre o varejo e sobre como poderíamos, a partir da área jurídica, contribuir para o alcance dos objetivos da companhia, não apenas prestando um serviço de excelência às diferentes equipes com as quais trabalhamos, mas também entendendo muito bem o negócio, para poder participar da tomada de decisões que, muitas vezes, vão além do aspecto jurídico.
Nesse cargo, trabalhei por 6 anos, período em que construímos uma equipe incrível e alcançamos grandes resultados, participando de diferentes projetos relacionados a temas tão diversos quanto contratos de patrocínio esportivo, programas de proteção de marca e iniciativas de sustentabilidade, entre muitos outros.
Atualmente, tenho o privilégio de liderar a equipe jurídica da adidas Colombia, país para o qual nos mudamos com minha família e onde estamos muito felizes e agradecidos por termos sido recebidos de forma tão calorosa e acolhedora.
LC: Vocêpoderia nos contar sobre algum programa ou iniciativa bem-sucedida que tenha liderado?
MHC: Um dos focos da nossa equipe jurídica é manter uma conexão próxima e permanente com todas as áreas com as quais trabalhamos. Para isso, é fundamental criar diferentes canais de comunicação com o negócio, a fim de conhecer e entender muito bem quais são suas necessidades, definir os objetivos comuns pelos quais trabalharemos e compartilhar os diferentes planos de ação para alcançá-los.
Para reforçar essa comunicação, criamos diferentes iniciativas de trabalho, como manter um ritmo operacional com as equipes às quais prestamos serviços, enviar um boletim jurídico trimestral para toda a companhia e realizar uma "Legal week", na qual convidamos todos a participar de diferentes sessões de conversa e aprendizado sobre aspectos relevantes do nosso trabalho, como negociação de contratos, proteção de dados pessoais e nossas políticas de Compliance, entre muitos outros.
LC: Na sua experiência, como a área de Legal and Compliance evoluiu nos últimos anos?
MHC: Em primeiro lugar, acredito que, na América Latina, enfrentamos uma regulação cada vez mais complexa, considerando que o marco legal está em constante mudança e que temos visto o âmbito de aplicação e o alcance das normas se ampliarem muito. Há não apenas um número maior de leis, mas também uma interseção muito maior entre elas.
Por outro lado, enfrentamos grandes desafios em matéria de Compliance na nossa região, e o papel das empresas no combate à corrupção e na adoção de boas práticas corporativas é cada vez mais relevante. Acredito que nossas organizações podem dar uma contribuição fundamental, criando e promovendo ativamente uma cultura de conformidade que não se limite a garantir o cumprimento das obrigações legais, mas busque ir muito além, colocando a conduta respeitosa, ética e íntegra como pedra angular do nosso comportamento e da nossa relação com os stakeholders.
LC: Como você acredita que é possível avançar para promover maior inclusão das mulheres profissionais na área jurídica?
MHC: Na minha opinião, um aspecto fundamental para alcançar esse objetivo é dar visibilidade ao grande talento feminino que existe na nossa profissão. Muitas vezes, nos deparamos com situações em que advogados são convidados, destacados ou reconhecidos sem que se pare para pensar se há um viés de gênero na escolha. Com isso, perde-se a oportunidade de ouvir — e, ao mesmo tempo, valorizar — advogadas extraordinárias, que podem contribuir muito para a discussão, compartilhando uma perspectiva diferente ou propondo ideias inovadoras para lidar com determinado problema.
Por outro lado, acredito que também é muito importante criar oportunidades de conexão e apoio entre nós, com diferentes espaços para compartilhar experiências relacionadas ao nosso desenvolvimento profissional e conhecer mulheres que sirvam de referência para as gerações mais jovens. Nessas ocasiões, por exemplo, é possível compartilhar que nossa profissão pode ser exercida não apenas em escritórios de advocacia ou no serviço público, mas também oferece excelentes oportunidades de desenvolvimento como advogada in-house, como foi o meu caso.
LC: Que conselho você daria às advogadas que buscam ingressar no mundo corporativo?
MHC: Meu primeiro conselho seria nunca perder a vontade de aprender. Manter-nos sempre atentas e abertas a aprender coisas novas, participar de novos projetos e entender o negócio a fundo nos permite conhecer diferentes temas e, assim, crescer profissionalmente.
Em segundo lugar, recomendaria que sempre confiassem em si mesmas e se atrevessem a assumir novos desafios. Muitas vezes, surgem oportunidades que representam mudanças que não planejamos fazer ou que nos tiram da zona de conforto, mas que vale muito a pena tentar.
Por último, diria que não se esqueçam de aproveitar o processo, procurando tirar o máximo proveito de cada etapa profissional em que estiverem.
Entrevista: Marina Vanni