Entrevista
Inspiring Women in Law: Miriam Martínez Pérez, especialista em IA
A LATIN COUNSEL conversou com a advogada especialista em inteligência artificial Miriam Martínez Pérez sobre a transformação provocada pela inteligência artificial nos escritórios de advocacia, o impacto da automação de tarefas e os desafios que ela traz, inclusive éticos e jurídicos.

A LATIN COUNSEL conversou com a advogada especialista em inteligência artificial Miriam Martínez Pérez sobre a transformação provocada pela inteligência artificial nos escritórios de advocacia, o impacto da automação de tarefas e os desafios que ela traz, inclusive éticos e jurídicos.
Miriam é diretora do mestrado em Propriedade Intelectual, Concorrência e Inovação Empresarial da UNIE University, doutora em Direito Comercial pela Universidade de Santiago de Compostela, colaboradora do Instituto de Direito Industrial da instituição e pesquisadora pré-doutoral do Max Planck Institute für Immaterialgüter und Wettbewerbsrecht, em Munique.
LATIN COUNSEL: Como a inteligência artificial transformou a eficiência dos escritórios de advocacia na gestão de grandes volumes de dados jurídicos e documentos?
Miriam Martínez Pérez: A IA transformou os processos tradicionais de busca de documentos e de análise jurídica dos casos nos escritórios de advocacia. Isso porque permite automatizar certas tarefas repetitivas, como a revisão de contratos, a classificação de documentos e a busca de jurisprudência, entre outras.
Além disso, a capacidade da IA de analisar grandes volumes de dados permite que os advogados obtenham informações com mais rapidez e precisão, desde precedentes jurisprudenciais até mudanças na legislação aplicável. Com isso, é possível até prever decisões judiciais e, consequentemente, melhorar a tomada de decisões estratégicas na defesa do cliente.
LC: Qual é o impacto da automação de tarefas rotineiras por meio da inteligência artificial na produtividade dos advogados e na qualidade dos serviços jurídicos que oferecem?
MMP: A automação de tarefas nos escritórios de advocacia, como em qualquer empresa, reduz o tempo dedicado às atividades mencionadas anteriormente. Isso permite destinar esses recursos a outras atividades que exigem necessariamente a intervenção humana.
Portanto, a automação de processos por meio da IA aumenta a eficiência, reduz custos e favorece a competitividade. Nesse sentido, o uso da IA reduz significativamente os custos operacionais ao agilizar processos e diminuir erros humanos. Isso não só melhora a eficiência da prática jurídica, como também permite oferecer honorários mais competitivos, ampliando as oportunidades de negócio.
LC: Quais são os desafios éticos e jurídicos que surgem com a implementação de sistemas de inteligência artificial nos escritórios de advocacia, especialmente em relação à privacidade e à confidencialidade das informações dos clientes?
MMP: Embora a IA ofereça muitos benefícios, também apresenta desafios éticos e jurídicos. Entre eles, um dos riscos mais relevantes diz respeito à privacidade dos dados e à transparência na tomada de decisões automatizada.
Especificamente em relação aos dados pessoais, vale destacar que o uso da IA envolve o processamento de grandes quantidades de informações, que podem incluir dados pessoais. Por isso, é importante considerar os riscos envolvidos no uso da IA, como erros nos dados que podem levar à discriminação, acessos não autorizados aos dados, manipulação do sistema de IA para alterar resultados, vazamento de dados, falta de base legal para o tratamento de dados ou falta de transparência no momento da coleta dessas informações.
Por isso, é importante adotar medidas de segurança adequadas para evitar esses riscos jurídicos no uso de sistemas de IA.
LC: Em que medida a inteligência artificial está mudando a forma como os advogados fazem pesquisas jurídicas, redigem documentos jurídicos e prestam consultoria jurídica a seus clientes? Como os escritórios estão se adaptando a essas mudanças?
MMP: Como é inevitável deparar-se com a IA, a forma de trabalhar nos escritórios de advocacia mudou completamente.
A IA foi incorporada à rotina dos escritórios de advocacia como mais uma ferramenta, em atividades que passaram a ser realizadas de forma muito mais automatizada, como comentamos anteriormente, sobretudo na busca de informações para o trabalho preparatório dos casos dos clientes. De fato, os grandes escritórios especializados incorporaram ferramentas de IA às suas equipes para facilitar o trabalho diário.
Muitas vezes, o cliente não tem consciência do uso da IA, pois a etapa final, de contato com o cliente, em que o advogado explica a estratégia processual a ser adotada em determinado caso, continua sendo totalmente tradicional. O cliente sempre precisará que o advogado explique qual decisão será tomada para defender seus interesses, algo que não pode ser substituído pela IA.
LC: Os clientes valorizam o uso de ferramentas de IA pelos escritórios de advocacia? Veem isso como algo positivo?
MMP: Como acabamos de comentar, muitas vezes os clientes não têm consciência do uso da IA, já que ela é utilizada mais como uma ferramenta interna de trabalho nos escritórios de advocacia. Mas talvez a vissem como algo positivo se soubessem que o uso da IA permite responder a seus casos com muito mais rapidez e, em alguns casos, de forma ainda mais satisfatória, uma vez que, como comentamos antes, a IA pode até prever decisões judiciais.
LC: Os escritórios menores ou boutiques terão mais dificuldade para investir em ferramentas de IA e implementá-las, além de capacitar suas equipes, do que os grandes escritórios internacionais?
MMP: Sem dúvida, os escritórios pequenos e as boutiques terão mais dificuldade para incorporar a IA, principalmente por causa dos custos e da falta de infraestrutura. A incorporação da IA a uma equipe também exige treinamento posterior para que os advogados aprendam a usar adequadamente as ferramentas de IA, o que é bem mais complicado para os escritórios pequenos do que para os grandes.
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