Análise
Minerais críticos para a transição energética e culturas básicas estão em risco devido à crise climática, segundo novo relatório da PwC
Mais de 70% dos minerais críticos necessários para promover a descarbonização estão ameaçados pelas mudanças climáticas.

Mais de 70% dos minerais críticos necessários para promover a descarbonização estão ameaçados pelas mudanças climáticas. Essa conclusão consta do relatório mais recente da consultoria PwC, intitulado "Riscos climáticos em nove recursos essenciais: proteger as pessoas e a prosperidade" ("Climate Risks to Nine Key Commodities: Protecting People and Prosperity"), publicado em 30 de abril de 2024.
A instabilidade climática afeta minerais como cobre, cobalto e lítio, essenciais para a eletrônica e as tecnologias de energia verde. A análise da PwC alerta que, até 2050, em um cenário de altas emissões, mais de 70% da produção desses minerais poderá enfrentar graves riscos de seca, um percentual muito superior aos 10% atuais.
"Embora a redução das emissões diminua os riscos de calor e seca, as principais matérias-primas continuarão sob estresse significativo, mesmo em um cenário de baixas emissões, segundo o modelo da PwC", alerta a organização.
Metais essenciais, especialmente bauxita e ferro, também estão em risco devido ao estresse térmico, mesmo que as emissões globais de carbono sejam reduzidas significativamente.
O relatório também destaca uma crise iminente para as culturas essenciais à nossa alimentação. Em 2050, em um cenário de altas emissões, quase 90% da produção mundial de arroz poderá ser afetada pelo calor, um forte aumento em relação aos 75% atuais. Além disso, mais de 30% da produção de milho e 50% da de trigo poderão estar sob risco de seca em meados do século.
"A produção das nove commodities está concentrada em um número limitado de países, muitos dos quais enfrentam riscos climáticos cada vez maiores. Para cada recurso, pelo menos 40% — e até 85% — da oferta mundial é produzida por um grupo distinto de no máximo três países", afirma a PwC.
Segundo a consultoria, 47% dos CEOs já estão intensificando os esforços para proteger suas operações e seus funcionários dos riscos climáticos, o que indica uma crescente conscientização sobre a crise atual.
Leia o relatório completo aqui
Autora: Marina Vanni