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O que é o “degrowth”, a teoria que defende a redução do consumo e economias sustentáveis?
A crise climática, com 2022 como o quinto ano mais quente já registrado no mundo, segundo a NASA, mostra que salvar o planeta é mais urgente do que nunca. Para alguns economistas, o decrescimento, ou “degrowth”, é a solução para evitar uma catástrofe ambiental.

A crise climática, com 2022 como o quinto ano mais quente já registrado no mundo, segundo a NASA, mostra que salvar o planeta é mais urgente do que nunca. Para alguns economistas, o decrescimento, ou “degrowth”, é a solução para evitar uma catástrofe ambiental.
O degrowth é uma teoria e um movimento que defendem o fim dos sistemas econômicos baseados no crescimento ilimitado. Seus defensores afirmam que o capitalismo em sua forma atual é insustentável, tanto do ponto de vista ambiental quanto social, e ressaltam a necessidade de avançar em direção a um modelo baseado na redução do consumo, na redistribuição da riqueza e no investimento em bens e serviços públicos.
O termo foi cunhado pela primeira vez na década de 1970, mas o movimento ganhou força no início dos anos 2000, em resposta à crise financeira mundial e à crescente conscientização sobre as mudanças climáticas. O falecido economista francês Serge Latouche é considerado o pai do decrescimento. O autor escreveu extensivamente sobre o tema, inclusive no livro “Adeus ao crescimento” (2009), um dos textos fundadores do movimento.
Embora o degrowth seja uma teoria relativamente nova, vem conquistando adeptos entre acadêmicos, ativistas e agentes políticos. Oferece uma alternativa a um sistema que conduz as comunidades ao colapso ambiental e à desigualdade social.
As políticas de decrescimento vão desde a aprovação de leis que reconhecem os direitos da natureza, como ocorreu na Bolívia, até a redução da jornada de trabalho sem corte de salários, como foi testado na Islândia e em outros países. A transição para uma economia pós-petróleo é outro aspecto relevante.
Segundo a Global Footprint Network, a população mundial precisa de 1,75 planeta como a Terra para sustentar os habitantes e os padrões de consumo atuais. Isso significa que os recursos estão sendo usados a um ritmo 1,75 vez mais rápido do que o planeta consegue regenerá-los. A organização calcula que serão necessários 3 planetas Terra em 2050 para atender às necessidades humanas, razão pela qual os defensores do degrowth pedem medidas imediatas.
O Degrowth.info traz mais informações sobre o movimento. Entre seus conceitos fundadores estão “a redução da produção e do consumo no Norte global e a libertação do paradigma ocidental unilateral de desenvolvimento” e “a ampliação da tomada de decisões democráticas para permitir uma participação política efetiva”, além de “uma economia e uma sociedade que preservem a base natural da vida”.
Mas alguns pensadores veem o decrescimento com certo ceticismo. Em sua coluna de opinião publicada no New York Times em fevereiro deste ano, o Nobel de Economia Paul Krugman argumentou que “o crescimento pode ser verde” e que a qualidade ambiental costuma ser melhor nos países mais ricos.
“(...) embora seja possível dissociar o crescimento dos danos ambientais, isso não acontece automaticamente. Para combinar a elevação do padrão de vida com a melhoria do meio ambiente, precisamos de políticas que incentivem o uso de tecnologias menos nocivas ao meio ambiente”, explica Krugman.
Outros autores se inspiraram no decrescimento para criar novos referenciais teóricos. O economista americano e especialista em sustentabilidade Jeffrey Sachs propõe a ideia de regeneração, argumentando que o avanço de tecnologias e negócios sustentáveis a serviço da igualdade e do bem-estar humano define o verdadeiro progresso.
Autora: Marina Vanni