Análise · Costa Rica
Quando Compliance e Sustentabilidade caminham lado a lado
A cada dia fica mais evidente que a sociedade, os funcionários, os clientes e os grupos de interesse esperam um valor adicional de suas organizações. Esse valor já não é gerado apenas pela qualidade do produto ou serviço que elas produzem e/ou vendem, mas também pela reputação no mercado e pelos valores com que a organização…

A cada dia fica mais evidente que a sociedade, os funcionários, os clientes e os grupos de interesse esperam um valor adicional de suas organizações. Esse valor já não é gerado apenas pela qualidade do produto ou serviço que elas produzem e/ou vendem, mas também pela reputação no mercado, pelos valores com que a organização opera e, sem dúvida, pela forma como contribui positivamente para a comunidade e o ambiente ao seu redor.
Essa contribuição pode ser verificada por meio de critérios não financeiros de avaliação da organização em questões ambientais, sociais e de governança. Esse critério é conhecido pela sigla ASG e, em inglês, ESG — Environmental, Social and Governance. A adoção de práticas ESG é mais relevante do que nunca e se tornou indispensável para cumprir as regulamentações globais.
Mercados como Europa (Supply Chain Act-EU Disclosure Regulation), Ásia (Singapore MAS regulations), América do Norte (US-SEC Enforcement force task) e até mesmo a América Latina já contam com regulamentações relacionadas a ESG e seus processos. Recentemente, a agência de classificação de risco Fitch Ratings publicou um relatório que resume como países como Brasil, Chile, Colômbia e México vêm fortalecendo as regulamentações do mercado de fundos e de gestores de investimentos, incluindo ESG em seus processos de investimento.
A tendência ganha cada vez mais relevância: práticas de sustentabilidade que antes eram voluntárias estão se tornando exigências legais. É nesse contexto que Compliance e Sustentabilidade caminham lado a lado, trabalhando em conjunto para cumprir as leis e atender às exigências dos órgãos reguladores, com o objetivo de criar uma sociedade mais sustentável.
A implementação de ESG não é uma tarefa simples. No entanto, para integrar os padrões ESG aos processos de ética e compliance já existentes na organização, é preciso considerar os seguintes aspectos: (i) cumprir as leis e manter-se atualizado sobre todas as regulamentações; (ii) conhecer bem os riscos e saber mitigá-los, inclusive os riscos ambientais e sociais; e (iii) alinhar a estratégia da organização aos critérios de compliance e ESG que estão sendo incorporados.
Programas eficazes de ética e compliance devem ser continuamente aprimorados e atualizados por meio de processos de monitoramento e auditoria e de uma matriz de maturidade do programa que considere o contexto do setor e a regulamentação de cada país em que a organização atua. As equipes de ética e compliance devem evoluir e incorporar aos códigos de conduta para funcionários e fornecedores padrões e expectativas relacionados a uma cultura social, ambiental e de governança. Natura & Co, Unilever e VMware são bons exemplos de códigos de conduta que integram ESG a seus valores e expectativas. Com a assessoria adequada, uma equipe de compliance madura pode estar bem posicionada para integrar os padrões ESG ao seu programa, pois já tem experiência na identificação e mitigação de riscos de governança, como corrupção, suborno e fraude, entre outros. Assim, será necessário apenas avaliar novos riscos ambientais e sociais. Além disso, se a área de compliance já contar com uma plataforma ou sistema de gestão de riscos, deverá incorporar os riscos ESG para ter uma visão mais ampla e poder tratá-los de forma holística e centralizada.
É necessário que o programa de compliance e os padrões ESG estejam integrados e alinhados à estratégia da organização. Uma das chaves para o sucesso é garantir que todas as partes envolvidas estejam cientes e dispostas a trabalhar em conjunto para implementar ESG. Uma estratégia bem definida, com um propósito genuíno e reconhecida no mercado por “dar o exemplo”, reduzirá os riscos, o custo de capital e a intervenção regulatória, além de poder impulsionar o crescimento e a atração e retenção de talentos.
Criar confiança, agir com transparência, ter um propósito de servir e gerar impacto positivo no meio ambiente contribui naturalmente para uma cultura organizacional muito mais sólida, com grandes oportunidades e vantagens competitivas.
Compliance e Sustentabilidade são complementares na construção de um negócio ético.