Análise
Sustentabilidade: o que os museus fazem para apoiar práticas mais ecológicas?
O primeiro de uma série de artigos da equipe de Gestão de Arte da Stonhage Fleming sobre a resposta do mundo da arte à mudança de atitudes.

O primeiro de uma série de artigos da equipe de Gestão de Arte da Stonhage Fleming sobre a resposta do mundo da arte à mudança de atitudes.
A sustentabilidade na arte está entre as dez principais preocupações dos colecionadores de arte de alto patrimônio, e até 70% consideram opções mais sustentáveis ao criar e administrar suas coleções (Art Basel & UBS Art Market report, 2022). Isso se refletiu no apoio a artistas e exposições que destacam questões ambientais e em um impulso generalizado para adotar práticas mais sustentáveis em todo o mundo da arte.
Os museus estiveram entre os primeiros do mundo da arte a abordar a questão das mudanças climáticas, com a proliferação de exposições de conscientização. A exposição eARTH: Art of a Changing World (3 de dezembro de 2009 - 31 de janeiro de 2010), da Royal Academy, foi uma das primeiras a reunir 30 artistas internacionais para examinar o impacto das mudanças climáticas sobre a humanidade.
Em 2023, somente em Londres, Tate, Barbican Centre e Hayward Gallery se concentraram em chamar a atenção para as mudanças climáticas. Dear Earth: Arte e esperança em tempos de crise (21 de junho - 3 de setembro de 2023), da Hayward, foi o destaque de uma temporada inteira dedicada à emergência climática. No cenário internacional, inúmeras exposições em outros museus abordaram o mesmo tema, de Buenos Aires a Manila e Brisbane.
Além de usar suas plataformas para conscientizar e estimular o debate sobre sustentabilidade, os museus têm se empenhado em reduzir suas próprias emissões de carbono e tomar decisões mais sustentáveis quanto ao design — incluindo os materiais e as práticas empregados —, à distância e à forma de transporte das obras de arte.
O Museo del Prado adotou um novo sistema de iluminação LED, que lhe permitiu reduzir o consumo de energia em 75% em relação ao ano anterior. Já o Louvre criou o cargo de responsável pelo meio ambiente, encarregado de orientar o museu rumo a práticas mais sustentáveis. Muitos estão adotando uma abordagem mais local para as exposições, recorrendo à arte da comunidade local. O Moderna Museet, da Suécia, dedicou sua programação de 2022 a exposições criadas exclusivamente por artistas no local, reduzindo a necessidade de transportes com alta emissão de carbono.
Embora o mundo da arte possa fazer muito mais para promover práticas sustentáveis, não se deve subestimar o esforço de museus e instituições. A arte sempre serviu para refletir e amplificar as questões importantes de cada época, e não há dúvida de que os museus reconhecem seu importante papel na conscientização. Isso vem acompanhado da necessidade de dar o exemplo e também colocar esses princípios em prática. Até o momento, suas iniciativas nesse sentido, embora significativas, ainda podem ser consideradas um trabalho em andamento.
Mas o que o setor comercial do mundo da arte faz para apoiar práticas sustentáveis? No próximo artigo desta série, analisaremos o que feiras, transportadoras, galerias e casas de leilão estão fazendo em resposta às mudanças climáticas.
Anna Smith é gerente sênior de coleções na divisão de Gestão de Arte. Ela administra as coleções de arte de várias famílias internacionais de alto patrimônio.
Antes de ingressar no Grupo Stonehage Fleming, Anna trabalhou por três anos na Christie’s como gerente sênior de clientes e, depois, na Iconiq Capital, empresa americana de investimentos e gestão de patrimônio. Anna é formada em Belas Artes e Artes Decorativas pela Universidade de Manchester e pelo Sotheby’s Institute of Art, em Londres.
stonehagefleming.com