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Inspiring Women In Law – Entrevista com Claudia Barrero · Latin Counsel
Entrevista · Colômbia
Inspiring Women In Law – Entrevista com Claudia Barrero
A Latin Counsel conversou com a advogada Claudia Barrero , integrante do comitê de DEI da PPU Colombia e sócia de M&A e Capital Markets do escritório colombiano de elite há duas décadas.
A Latin Counsel conversou com a advogada Claudia Barrero, integrante do comitê de DEI da PPU Colombia e sócia de M&A e Capital Markets do escritório colombiano de elite há duas décadas. Claudia foi a primeira advogada a ser nomeada sócia do escritório colombiano e peça-chave na integração da Prietocarrizosa ao escritório regional Philippi Prietocarrizosa Ferrero DU & Uría ("PPU"), com escritórios em Bogotá, Santiago do Chile e Lima, em aliança com a Uría Menéndez, na Espanha. Claudia foi a primeira pessoa não americana a presidir o Conselho de Administração da SCG Legal, nos Estados Unidos, em 2014, e é co-vice-chair do Women´s Lawyers Committee (WLC) e integrante do D&I Council da International Bar Association (IBA). Tem ampla experiência em fusões e aquisições de empresas listadas, instituições financeiras e empresas de energia, e assessorou empresas colombianas de primeira linha em diversas emissões de ações e dívida, projetos de infraestrutura, governança corporativa e questões societárias complexas. Entre outros, representou a Bolsa de Valores da Colômbia, Grupo Argos, Mutua Madrileña, Celsia, Hocol, Century Energy, Cementos Argos, Banco Santander e Gerdau. Latin Counsel: Como foi sua trajetória na PPU? Claudia Barrero: Fiz uma carreira de oito anos como associada e sou sócia há 20 anos. Pode-se dizer que o escritório e eu crescemos juntos. Praticamente me formei na PPU. Comecei minha carreira no escritório quando as empresas de serviços públicos estavam sendo privatizadas, o que me permitiu participar de projetos enormes e muito complexos. Foi uma grande escola. Essa foi minha primeira etapa como associada, um período de muito aprendizado. Fui a primeira mulher sócia do escritório, o que também foi desafiador. Naquela época, havia pouquíssimas mulheres sócias de escritórios na Colômbia, e posso dizer que os primeiros dez anos como sócia foram muito empolgantes, com um país em crescimento, muitos investimentos estrangeiros chegando e o escritório se transformando na organização que é hoje. Ter participado da transformação do escritório é motivo de grande orgulho para mim. Mas talvez os últimos dez anos tenham sido os mais desafiadores, porque coincidem com a criação e consolidação da PPU como escritório regional.
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Nunca fiquei entediada, porque somos um escritório em constante evolução.
LC: Quais projetos de alto nível você liderou como sócia da PPU e especialista em empresas, finanças e mercados?
CB:
Foram muitos, e é difícil escolher apenas alguns, mas acredito que os que mais me marcaram, por diferentes razões, foram, em ordem cronológica: (i) a privatização da então Empresa de Energía de Bogotá (hoje GEB), na qual fui associada sênior do projeto e que foi literalmente meu primeiro projeto no escritório; (ii) a aquisição da Coltabaco pela Philip Morris por meio de uma OPA, que, na minha opinião, reabriu o mercado de OPAs após vários anos difíceis; (iii) a aquisição da EPSA S.A. E.S.P. pela Colinversiones (hoje Celsia) por meio da primeira OPA conjunta realizada no mercado colombiano; (iv) a integração das bolsas de valores da Colômbia, do Chile e do Peru por meio da criação da Nuam X; e (v) a assessoria ao Grupo Argos no contexto das várias OPAs não solicitadas e a posterior implementação do acordo firmado entre as partes.
LC: Quais desafios as empresas que você assessora costumam enfrentar?
CB:
Muitos e muito diversos. Acredito que um desafio constante é a falta de precedentes e a duração dos processos.
A regulamentação cambial e tributária sempre representa um desafio importante para investidores estrangeiros que chegam ao país pela primeira vez.
Embora a Colômbia tenha um marco jurídico sólido, atualmente o maior desafio é a incerteza, que deixou de ser apenas política e passou a ser também regulatória e econômica. Nós, advogados, temos o dever imperioso de defender o Estado de Direito e proteger o império da lei.
O país precisa proteger a segurança jurídica, condição essencial para receber investimentos estrangeiros e garantir o crescimento.
LC: Como você chegou ao Women Lawyers’ Committee da IBA e que atividades desenvolve lá?
CB:
Há muitos anos trabalho com questões de gênero e, nesse contexto, conheci advogadas brilhantes. Cheguei ao Women Lawyers’ Committee da IBA (o "WLC") graças ao generoso convite que recebi, na época, de Patricia Menéndez-Cambo, que então liderava o Women Interest Group da IBA, posteriormente transformado no WLC.
O WLC capacita seus mais de 3.000 integrantes em todo o mundo e facilita a criação de uma rede global para mulheres advogadas. Sua missão inclui trabalhar para nivelar as condições na profissão jurídica e inspirar líderes a atuar para reduzir a desigualdade de gênero na profissão.
Criamos ferramentas de conscientização para apoiar essa missão e promover vínculos entre advogadas. Entre as ferramentas desenvolvidas pelo WLC estão o guia para mentorias eficazes (mentorship toolkit) e o guia para a promoção eficaz (sponsorship toolkit) de advogadas.
Organizamos encontros virtuais trimestrais para facilitar a troca de conhecimentos e oferecer uma plataforma para a criação de redes e o apoio mútuo.
Também criamos um programa de Campeões pela Mudança (Males Champions for Change), que busca incentivar homens em posições de liderança em escritórios de advocacia a trabalhar ativamente para reduzir a desigualdade de gênero e se tornar exemplos a seguir.
Para o futuro, o Comitê está organizando a 10ª Conferência Mundial de Mulheres Advogadas, em Toronto, no Canadá, de 23 a 25 de outubro de 2024.
LC: Que temas ou atividades despertam seu interesse pessoal, além da advocacia?
CB:
Sou essencialmente curiosa e estou sempre descobrindo novos interesses. Minha atividade favorita é viajar e conhecer novas culturas, mas também gosto muito de arte, música, leitura, mergulho e fotografia.
Tenho uma longa lista de coisas que quero fazer ("bucket list"), e o desafio agora é ter tempo suficiente.
Gosto muito de passar tempo com minha família e meus amigos e, ultimamente, descobri o prazer de cozinhar.
LC: Que conselho você daria às mulheres profissionais que buscam conquistar espaço no mundo jurídico? E às que querem se aprofundar no mundo das finanças e dos mercados em sentido mais amplo?
CB:
Às mulheres em geral, independentemente da profissão ou ocupação, recomendo que sejam autênticas e confiem em seus conhecimentos e habilidades. Que persigam seus sonhos e perseverem: não é fácil, mas é possível.
Às advogadas que querem se destacar nos mercados financeiros e de capitais, recomendo que se preparem, não duvidem de suas capacidades e conhecimentos, construam uma rede de contatos (participando de grupos de interesse e associações de advogados especializados), entendam o negócio e busquem liderar.
As mulheres precisam chegar a cargos de liderança e, assim, contribuir para reduzir a desigualdade de gênero.
Estamos em um ponto de inflexão muito interessante, pois a tecnologia e a inteligência artificial estão causando um impacto significativo nos mercados. Conhecimento e criatividade são essenciais neste momento. Acredito que os mercados, tal como os conhecemos, passarão por mudanças importantes, e precisamos estar preparadas para os novos desafios.