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O escritório de advocacia do presente: experiências na América Latina e no mundo · Latin Counsel
Análise
O escritório de advocacia do presente: experiências na América Latina e no mundo
O Fórum Latino-Americano da International Bar Association (LARF) promoveu um debate interessante sobre a evolução dos escritórios de advocacia na América Latina e no mundo durante sua Conferência Anual no México, realizada em setembro de 2024.
O Fórum Latino-Americano da International Bar Association (LARF) promoveu um debate interessante sobre a evolução dos escritórios de advocacia na América Latina e no mundo durante sua Conferência Anual no México, realizada em setembro de 2024. O cenário jurídico está em constante evolução, e os escritórios de advocacia de todo o mundo precisam se adaptar às mudanças nas expectativas dos clientes, aos avanços tecnológicos e aos novos modelos de negócios. Em um painel recente, figuras de destaque de escritórios latino-americanos e internacionais compartilharam suas experiências e perspectivas sobre como os escritórios podem se manter competitivos nesse ambiente dinâmico. Os participantes do painel foram:
Juan Carlos de los Heros (Estudio Echecopar Baker McKenzie, Peru)
Benjamín Grebe (Prieto, Chile)
Georgia Dawson ( ( , Inglaterra)
Jacob Kiriaty (Engie, México)
Juan Manuel de la Rosa (Martínez, Quintero, Mendoza, González, Laguado & De la Rosa, Colômbia)
Mariana Herrero (Galicia, México)
Cultura e talento: a chave do sucesso Mariana Herrero da Galicia (México) destacou a importância da cultura para atrair e reter talentos. Segundo ela, dar aos advogados liberdade para moldar a cultura do escritório promove o sentimento de pertencimento e o comprometimento. Como escritório independente, a Galicia se beneficia da capacidade de trabalhar de forma flexível com escritórios internacionais, mantendo sua própria identidade e seus valores. Herrero ressaltou que essa independência permite colaborar globalmente sem perder o controle sobre o modelo de negócios interno. Georgia Dawson da Freshfields (Reino Unido) concordou, explicando que, embora a Freshfields não tenha escritórios na América Latina, seu modelo de participação societária e seu alcance global permitem manter parcerias sólidas na região. A vantagem para os escritórios internacionais, acrescentou, está na amplitude dos recursos e na oferta de talentos especializados proporcionadas por esse modelo.
Equilíbrio entre independência e colaboração internacional
Juan Manuel de la Rosa
, que anteriormente foi sócio de dois escritórios internacionais e agora integra um escritório independente, compartilhou suas opiniões sobre as vantagens e desvantagens de ambos os modelos. Segundo ele, nenhum sistema é inerentemente superior; tudo depende dos clientes e de suas necessidades. Os escritórios internacionais tendem a dispor de tecnologia mais avançada, incluindo IA e softwares especializados, o que pode aumentar a eficiência. Os escritórios independentes, porém, muitas vezes têm mais flexibilidade, especialmente para enfrentar desafios políticos ou econômicos.
Ele observou que os escritórios independentes costumam firmar parcerias com escritórios de elite em outras jurisdições, mantendo sua identidade e seus objetivos próprios. Também destacou a importância de atrair e desenvolver talentos, oferecendo oportunidades de crescimento e preservando um forte senso de comunidade no escritório.
Expectativas dos clientes e o papel dos escritórios de advocacia
Jacob Kiriaty
da
Engie México
compartilhou a perspectiva dos advogados internos e ressaltou que as expectativas dos clientes devem orientar a relação entre os escritórios de advocacia e seus clientes. Credenciais e experiência em áreas específicas são cruciais, mas Kiriaty observou que o currículo, por si só, não basta. As relações importam, e os clientes valorizam assessores externos que demonstram bom julgamento e facilitam as operações comerciais, não apenas especialistas jurídicos.
Kiriaty também mencionou o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, contrastando a exigente rotina 24 horas por dia, sete dias por semana, dos escritórios de advocacia com a jornada de trabalho mais estruturada, de segunda a sexta-feira, na Engie. Como sócio, destacou a importância de acompanhar as mudanças, citando medidas como políticas de trabalho remoto e códigos de vestimenta menos formais. Hoje, os clientes buscam não apenas especialistas jurídicos, mas também habilidades interpessoais e uma abordagem colaborativa para resolver problemas.
Cinco princípios de ouro para um escritório moderno
Juan Manuel de la Rosa
apresentou cinco princípios fundamentais que podem ajudar os escritórios de advocacia modernos a ter sucesso:
Trabalho com propósito: Os advogados devem se sentir valorizados e fazer parte de uma equipe coesa.
Liberdade: O senso de comunidade e a autonomia dentro do escritório são essenciais.
Parcerias jurídicas: Promover a colaboração em toda a comunidade jurídica fortalece a presença e a reputação do escritório.
Recrutamento personalizado: Atrair os talentos certos é crucial para o sucesso a longo prazo.
Retenção: Manter e desenvolver talentos por meio do engajamento contínuo e de oportunidades de crescimento é fundamental.
A importância da diversidade, do coaching e do mentoring Georgia Dawson destacou a importância da diversidade e da inclusão, tanto como pilar central da estratégia empresarial do escritório quanto como parte das iniciativas de meio ambiente, social e governança (ESG). Mariana Herrero observou que a falta de mulheres em posições de liderança é um problema estrutural que os escritórios precisam enfrentar, identificando indicadores-chave de desempenho (KPIs) e implementando políticas para promover mudanças. Georgia acrescentou que o coaching e o mentoring são essenciais. Os sócios devem dar feedback regularmente aos associados, positivo ou negativo, e garantir que eles se sintam ouvidos e apoiados em seu desenvolvimento. A eficiência na operação das equipes, inclusive a flexibilidade quanto à presença no escritório, também é crucial. Como observou de los Heros, em geral as pessoas gostam de ir ao escritório, mas a rigidez de uma semana de trabalho de cinco dias já não é necessária para ser produtivo.