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Rompendo o teto de vidro: mulheres advogadas e o desafio da liderança nos escritórios de advocacia · Latin Counsel
Análise · Costa Rica
Rompendo o teto de vidro: mulheres advogadas e o desafio da liderança nos escritórios de advocacia
EY Law - Embora as mulheres representem uma parcela crescente — e até majoritária — dos estudantes das faculdades de Direito da América Latina e de outras regiões, essa presença não se traduz proporcionalmente em posições de liderança nos escritórios de advocacia, departamentos jurídicos corporativos,…
EY Law - Embora as mulheres representem uma parcela crescente — e até majoritária — dos estudantes das faculdades de Direito da América Latina e de outras regiões, essa presença não se traduz proporcionalmente em posições de liderança nos escritórios de advocacia, departamentos jurídicos corporativos, organismos internacionais ou no sistema judiciário. O fenômeno conhecido como "teto de vidro" continua vigente: uma barreira estrutural, muitas vezes invisível, que limita a ascensão das mulheres no exercício profissional do Direito. Segundo diversos estudos do setor, embora as mulheres representem mais de 50% dos profissionais em início de carreira nos escritórios de advocacia, apenas entre 15% e 25% chegam a ocupar posições de sócias (Relatório Global sobre a Lacuna de Gênero do Fórum Econômico Mundial (WEF) 2024). Nos tribunais superiores, a representação feminina continua baixa, apesar dos compromissos institucionais com a paridade. Em uma área como a nossa, o comércio internacional, apenas 15% do comércio mundial é liderado por mulheres (WTO, 2022). Esse fenômeno não decorre de falta de capacidade, mérito ou aspiração por parte das mulheres, mas de uma combinação de fatores, como falta de visibilidade e patrocínio dentro das estruturas organizacionais, vieses de gênero, muitas vezes inconscientes, nos processos de avaliação e promoção, cultura institucional rígida e pouco sensível às realidades da conciliação entre vida profissional e pessoal, além da escassa presença de modelos de liderança feminina no meio jurídico. Formando líderes jurídicas: propostas e estratégias Para reverter essa tendência, não basta "abrir oportunidades". É necessário desenvolver uma estratégia institucional clara, sustentável e transformadora. As mulheres precisam de mentores comprometidos com metas claras de aumento da liderança feminina, e de avaliações que incluam bonificações para quem oferecer esse patrocínio e cumprir as metas. As organizações devem assumir expressamente o compromisso de incluir uma parcela feminina em suas posições de liderança, de forma aberta e transparente. Algumas medidas para alcançar essa meta incluem: 1. Promover programas de mentoria e patrocínio Modelos bem-sucedidos de promoção profissional mostram que redes estruturadas e ativas de mentoria têm impacto significativo no desenvolvimento da carreira de jovens advogadas. O patrocínio, entendido como o apoio público e estratégico de uma líder ou de um líder em posição de poder, também é fundamental para abrir espaço nos processos decisórios.
2. Incorporar habilidades de liderança desde a formação
As empresas devem oferecer formação em liderança, habilidades de negociação, comunicação eficaz e gestão de equipes diversas.
3. Transformar a cultura organizacional
A adoção de políticas de trabalho flexível, avaliação por resultados, licenças parentais igualitárias e sistemas transparentes de promoção pode contribuir significativamente para eliminar as barreiras estruturais enfrentadas pelas mulheres no exercício do Direito.
4. Combater os vieses de gênero
Capacitar líderes e equipes para reconhecer vieses inconscientes permite identificar padrões que perpetuam a desigualdade, desde a distribuição de casos de grande visibilidade até os critérios usados para avaliar liderança ou comprometimento profissional.
5. Promover redes de colaboração entre mulheres advogadas
O networking feminino, baseado na solidariedade profissional e na troca de experiências, permite que as mulheres advogadas compartilhem recursos, oportunidades e aprendizados. Esse tipo de rede não promove apenas o crescimento individual, mas também fortalece coletivamente a liderança feminina no meio jurídico.
6. Políticas claras, firmes e equitativas do escritório
Devemos reconhecer a necessidade de equidade diante da desigualdade e buscar formas de nivelar o campo de atuação nas organizações para que as mulheres tenham acesso a cargos específicos. Esse deve ser um compromisso público do escritório.
Nosso caso
Na prática de Impostos Indiretos da EY, assessoramos empresas em questões de comércio internacional e aduaneiras na América Central, uma área tradicionalmente dominada por homens. Diante desse contexto, apostamos no desenvolvimento de talentos femininos, trabalhando de perto com jovens profissionais e oferecendo as ferramentas necessárias para que exerçam uma liderança eficaz — tanto na gestão de projetos quanto na condução de equipes.
Hoje, temos orgulho de contar com uma liderança composta integralmente por mulheres de alto desempenho, incluindo três gerentes jovens (equivalentes a advogadas associadas), que lideram uma equipe de 8 profissionais e também têm potencial excepcional para se tornarem futuras diretoras ou sócias da área.
Nossos clientes, muitos deles também com equipes lideradas por mulheres, relatam resultados bem-sucedidos e reconhecem o valor que essa diversidade agrega às suas interações profissionais.
O estudo da Credit Suisse (2021) corrobora essa experiência: desde 2010, empresas com mais de 20% de diversidade alcançaram margens EBITDA, em média, 1.6 ponto percentual superiores às daquelas com menos de 15%. Além disso, empresas com maior diversidade na liderança apresentam melhor desempenho no preço de suas ações.
Esses resultados reforçam nossa convicção de que a diversidade não é apenas justa, mas também estratégica.
O verdadeiro desafio não está em adaptar as mulheres aos modelos tradicionais de liderança, mas em redefinir esses modelos para que sejam mais inclusivos, humanos e representativos da riqueza de talentos que hoje compõem a profissão jurídica.